Mercado imobiliário: o que muda no pós-pandemia?

Mercado imobiliário: o que muda no pós-pandemia?

Pela primeira vez desde fevereiro de 2020, o mercado imobiliário volta a registrar alta simultânea de lançamentos e vendas em 12 meses, segundo o indicador da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O último trimestre móvel (fevereiro, março e abril de 2021) mostra que a tendência positiva do mercado imobiliário se manteve firme nos primeiros meses do ano e favoreceu, principalmente, a performance do segmento de Médio e Alto Padrão. De acordo com 18 empresas associadas e consultadas, os lançamentos de imóveis somaram 28.470 unidades no período, contribuindo para uma alta de 45% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.

Ao considerar o número de imóveis lançados pelas incorporadas ao longo dos últimos 12 meses, encerrados em abril, o crescimento foi de 13,5% (132.136 imóveis novos), sobre o período precedente. Comparativamente, foram comercializadas 37.227 unidades no último trimestre móvel, o que representa um aumento de 30% em relação ao volume transacionado no mesmo período de 2020.

Já no acumulado nos últimos 12 meses, as 147.769 unidades comercializadas superaram em 29% as vendas registradas no intervalo anterior. Em paralelo, as vendas líquidas, excluindo-se as unidades distratadas no mesmo período, avançaram 32% no último trimestre móvel e 30% nos últimos 12 meses.

Entretanto, diante de todos esses dados, o que se pode esperar do segmento no pós-pandemia?

Como o mercado imobiliário observa a retomada das atividades presenciais

Desde março de 2020, o mercado corporativo está atento às transformações causadas nas relações comerciais e sociais devido à Covid-19. Seja pelas normas de biossegurança ou pelo distanciamento social, os indivíduos adotaram hábitos diferentes e os negócios tiveram de se adaptar para não serem engolidos por essa onda de mudanças.

Com a vacinação avançando em quase todos os países, inclusive no Brasil, os gestores começam a se preparar para uma nova fase que está por vir: o pós-pandemia. “O mercado está bem equilibrado e o ambiente de taxa de financiamento continua bastante favorável, mesmo com uma acomodação da taxa Selic”, afirma CyroNaufel, diretor institucional do Grupo Lopes. Para o especialista, três pilares ajudaram a fundamentar o setor após a reabertura dos plantões de venda:

● Demanda reprimida sólida (que vem de 2014 a 2019);
● Nível de estoque confortável desde 2020;
● Taxa de juros, fundamental para alavancagem e crescimento do mercado;
● Confiança do consumidor à medida que a vacinação aumenta e o atendimento presencial ganha mais espaço.

Além disso, no caso do setor imobiliário, alguns pontos devem ser levados em consideração, como a implementação e a aderência do home office e do trabalho híbrido, o crescimento do interesse em espaços de coworking e até mesmo o fato de certos colaboradores terem migrado para cidades do litoral ou do interior do estado em busca de maior qualidade de vida.

Dessa forma, Cyro Naufal tem observado muitas negociações durante a pandemia, principalmente quando se trata de locação comercial. “Buscamos sempre auxiliar locadores e locatários a encontrar a melhor alternativa para ambos, de forma a manter o contrato vigente, considerando o cenário. Esse movimento reforça não apenas a importância da imobiliária, que auxilia na intermediação apresentando dados de mercado que ajudam a balizar as decisões, mas também da livre negociação do setor, possível em função da não definição de um único índice regulatório”, esclarece.

Segundo o profissional, algumas empresas aproveitaram esta questão do home office para realizar melhorias em sua viabilidade financeira e desmobilizar os escritórios. Mas ainda é muito cedo para se ter um legado definitivo da pandemia ou estabelecer um padrão. “O que percebemos é um esvaziamento de ocupação de escritórios em função disso e de um equilíbrio melhor nas finanças das empresas. Há ainda uma entrega de m² novos de escritórios. Com esse cenário, o que deve acontecer, e é uma característica muito peculiar dos escritórios, é o atingimento de um equilíbrio”, coloca o diretor institucional do Grupo Lopes.

Isso porque, assim como uma determinada empresa deixa de alugar um espaço caro para equilibrar suas finanças, o preço de locação tende a cair. Outra empresa que antes, em um mercado mais aquecido, não poderia ocupar escritórios nessas regiões, vê nesse movimento uma oportunidade para montar seu escritório a um valor mais acessível, e ocupa o espaço aberto. Então há um movimento, que tende a se equilibrar com o passar do tempo e que deve fazer com que os preços se recuperem novamente em breve.

Cyro Naufal aposta em um modelo híbrido de trabalho, que se dará de acordo com o ramo de atividade e a posição de cada pessoa dentro das empresas. Com isso, os escritórios podem, em função até de haver uma ocupação mais espaçada, sofrer uma mudança de layout, com redução de espaços em metragem e se converter em espaços de confraternização, atendimento ao cliente e apresentação de report ao invés de serem um local onde as tarefas de fato são realizadas.

Outro ponto importante a se considerar é que, atualmente, os lançamentos residenciais já acontecem com espaços dedicados para o home office. O projeto e o uso das áreas comuns têm ganhado cada vez mais importância, justamente em concomitância com o cenário vivido nos escritórios.

Reinvenção é a palavra-chave para as imobiliárias

As imobiliárias, assim como praticamente em todas as empresas, foram afetadas pelo novo jeito de viver trazido pela pandemia. Com a redução drástica de deslocamentos, principalmente nos centros urbanos, o setor tem investido em alternativas para driblar entraves e se reestruturar.

“Essa não é a primeira e nem será a última crise vivida em nosso país. As crises fazem parte da história da humanidade moderna e sobreviver a elas é uma questão de preparo, estratégia e cautela. Compreender a dor do cliente e sanar com qualidade, segurança e eficiência é a chave para se manter relevante no cenário atual. Nesse sentido, a versatilidade é muito importante, pois precisamos estar atentos às necessidades de nossos clientes e nos adaptar a elas de forma rápida e assertiva”, salienta o diretor institucional do Grupo Lopes.

Foi justamente por isso que a empresa criou o Lopes Labs, braço digital da companhia formado por um time de 120 colaboradores especialistas em Inovação, TI, Planejamento e Marketing que atuam como uma rede de inteligência conectada em todo o país. “Vivemos um universo cada vez mais digitalizado, por isso, desenvolvemos ferramentas que nos permitem oferecer uma experiência omnichannel, proporcionando o melhor atendimento também no mundo online. Isso vai muito além de ter uma plataforma digital na qual o cliente pode encontrar opções de imóveis”, pontua.

“Envolve transformar a jornada do consumidor ao proporcionar uma experiência inovadora e interativa, com a qual é possível resolver todas as etapas do processo de aquisição, venda e locação de imóveis sem precisar sair de casa, contando sempre com o suporte especializado dos corretores”, frisa.

Estes, inclusive, exercem um papel fundamental no mercado imobiliário, que deve continuar a ser empenhado, com suporte tecnológico: é justamente a junção da tecnologia ao know-how do corretor que garante a excelência no atendimento, de acordo com Cyro Naufal.

Projeções a médio prazo

O futuro do mercado imobiliário ainda é incerto, mas é possível, ao analisar estatísticas e o comportamento do consumidor, realizar algumas inferências a médio prazo.

“Vivemos um cenário inédito, não só no volume de ofertas, mas nas condições de crédito imobiliário. A cada 1% de taxa do financiamento imobiliário que cai, a prestação cai 8%, o que gera uma inserção muito grande de uma camada da população que passa a ser elegível à compra do imóvel – tanto a pessoa que não podia comprar e agora pode, quanto a que vai comprar um imóvel maior pelo mesmo valor de prestação – o que alavanca VGV de compra”, explica Cyro Naufel.

“Apesar disso, acreditamos que até o final do ano deve haver uma acomodação da taxa de financiamento. Mesmo que a Selic fique entre 5% e 6%, continua sendo um cenário extremamente agressivo e favorável para a atuação do mercado. Tudo isso é uma base para a retomada de um ciclo positivo do mercado imobiliário”, finaliza.

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