Êxodo de luxo: por que o mercado imobiliário de alto padrão está tão aquecido no Brasil

Êxodo de luxo: por que o mercado imobiliário de alto padrão está tão aquecido no Brasil

Num piscar de olhos, alguns dos endereços mais procurados por quem percebeu que a vida é frágil e merece ser tratada com mais qualidade triplicam de valor. Um metro quadrado já considerado caro pelos próprios empresários do setor, vendido inicialmente por R$ 30 mil, em “dois ou três meses” passou a valer perto de R$ 50 mil – esse é um exemplo real no bairro dos Jardins, em São Paulo. Proprietários de primeira hora (moradores ou investidores) estão com um largo sorriso no rosto. E, se você pretende entrar nessa ciranda, a notícia é boa para você também.

A busca por moradias mais espaçosas, com boa infraestrutura e maior contato com a natureza, especialmente no caso daquelas mais afastadas dos grandes centros, tem como pano de fundo as restrições do convívio social e as profundas alterações nos modelos de trabalho, consequências da pandemia. “As pessoas sentiram a necessidade de ter espaço para respirar com segurança. Perceberam que ficar trancadas em uma cidade como São Paulo era a pior alternativa. E decidiram dar à família a opção de uma casa de campo, uma casa de praia, um imóvel de lazer de qualidade”, afirma Álvaro Coelho da Fonseca, presidente da empresa que leva o sobrenome da família e que tem no portfólio a Quinta da Baroneza, que ele afirma ser o “primeiro empreendimento de campo da nova geração”, com seu “altíssimo luxo, sua pioneira rede elétrica subterrânea e seu campo de golfe 18 buracos”.

Além disso, o home office, na opinião de todos os entrevistados, veio para ficar. “Já está sendo e vai ser cada vez mais assim: dependendo da atividade do comprador, do estilo de vida de sua família e de seu momento profissional e pessoal, quem está adquirindo o imóvel tem ficado três, quatro, cinco dias por semana nesse outro endereço, trabalhando de lá como se estivesse na empresa e desfrutando uma maior qualidade de vida. Aquilo de passar a semana toda no escritório ficou para trás”, complementa Álvaro.

“Foi uma das primeiras vezes que, numa crise, nosso mercado se saiu bem”, acrescenta o diretor comercial do grupo, Roberto Coelho da Fonseca, sem esconder certa surpresa. “Vínhamos em ascensão, graças às taxas de juros baixas e à facilidade de crédito. Aí veio a pandemia. Nos primeiros dois ou três meses, foi aquele impacto geral, tudo parou. Mas, logo que o pânico diminuiu, o mercado reagiu. Rapidamente recuperamos o tempo perdido e tivemos um 2020 melhor que 2019.”

Fundada em 1972 e especializada em soluções para o público de alta renda, a JHSF agrega em seu escopo desenvolvimento imobiliário, shoppings centers, hotéis, restaurantes e aeroporto executivo. A Fazenda Boa Vista, o Shopping Cidade Jardim, o Catarina Fashion Outlet e a marca Fasano fazem parte de seu portfólio.

“Em nossos empreendimentos, em especial no Complexo Boa Vista, a procura, que já vinha alta nos últimos anos, intensificou-se desde o início da pandemia – mas não só por causa dela”, afirma Thiago Alonso de Oliveira, diretor-presidente da JHSF. “Há alguns anos, percebemos que muitos de nossos clientes já tinham imóveis fora das suas cidades de origem maiores que as casas onde moravam de segunda a sexta-feira. Isso já denotava o desejo de viver bem, mas até então a rotina do trabalho presencial deixava pouco tempo para que desfrutassem dessa melhor qualidade de vida”, analisa.

A pandemia, segundo Thiago Oliveira, apenas evidenciou que a tecnologia já estava pronta para ser uma forte aliada desse novo estilo de vida, quebrando um paradigma secular da relação entre viver e trabalhar.

Por sua beleza e eficiente infraestrutura de comunicação, muitos proprietários adotaram o home office e o home school em suas casas na Boa Vista – e passaram a considerar esse endereço como o principal ou mesmo permanente. “As vendas em 2020 apresentaram um crescimento de quase 230% acima de 2019; em 2021 o ritmo está se mantendo, com uma expansão no primeiro trimestre de 247% em comparação com o primeiro trimestre de 2020”, comemora Thiago.

 

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